quarta-feira, 11 de março de 2009

Agnes Denes: "Wheatfield - A Confrontation"

Nasceu em Budapeste, Hungria, em 1938. Vive e trabalha em Nova York. Uma das pioneiras, tanto do movimento ambiental na arte quanto da arte Conceitual. Os seus trabalhos vão do desenho a grandes intervenções no espaço natural. Em 1982, foi realizado o que se tornou um dos mais conhecidos projetos ambientais de arte. A artista plantou trigo em uma área aproximadamente de dois hectares em um terreno vago em Manhattan. Deste local era possível ver a Estátua da Liberdade, o World Trade Center e o Wall Street. Ou melhor, este lugar podia ser bem visto. Intitulado, Wheatfield - A Confrontation, a obra rendeu 1.000 quilos de trigo no meio de Nova York, e se referia ao combate entre a natureza e a cultura, um embate de um campo de trigo crescendo no meio de Nova York. Surreal, não? Também discutia o contraste a cerca da fome mundial e da má utilização das terras. O terreno escolhido era um local de depósito de escombros e lixo, um aterro que seria destinado a construção de um parque. Com dois assistentes e variando o número de voluntários, Denes passou um ano preparando e limpando a área, retirando todo o lixo e pedras e, instalando um sistema de irrigação. Feito o plantio, o campo cresceu passando de verde a dourado. Uma pintura na paisagem. O grão colhido, em seguida, viajou para 28 cidades no mundo todo "The International Art Show para o Fim da fome no mundo" e foi simbolicamente plantado ao redor do globo.
Fico imaginando o que passava pela cabeças das pessoas que acompanharam o crescimento desse campo de trigo! Acredito que muitas delas nem perceberam o que estavam acontecendo dada a correria e cegueira em que viviam, outras ficaram tocadas e atentas ao acontecimento, no mínimo, improvável. O que mais? Como esta grande intervenção pode tocar as pessoas, transformar suas ações, torná-las mais atentas? O que vocês pensam a respeito? E se fosse na cidade de vocês, no centro da cidade?


A arte contemporânea é fantástica, ilimitada. Proporciona discussões enriquecedoras e a oportunidade de ampliar nossa percepção sobre o mundo, sobre a nossa vida.

Imagens retiradas do site http://greenmuseum.org/

6 comentários:

Mariana disse...

Eu achei a idéia incrível, muito ousada! Na nossa cidade às vezes nos deparamos também com um pouco da paisagem rural, um cavalo pastando, pessoas plantando milho no terreiro. Mas é claro, não são manifestações artísticas. E no meio de Manhatan, nossa, inacreditável! Até porque parece que lá não restam mais espaços vazios.

Leila disse...

Exatamente Mariana. Se pensarmos que essa intervenção aconteceu em 1982 e não por acaso em Nova York, uma das cidades mais importantes e influentes no mundo, o impacto causado foi grande. O local era um aterro "descontrolado" e que iria ser transformado em um parque.
Na nossa cidade, como você colocou, exemplos de pessoas que vivem como se estivesses na zona rural são exemplos de como a cidade é dinâmica e como a cultura, aqui me refiro a identidade de um povo multicultural, ela se impõe em qualquer condição. Por mais planejada que uma cidade possa ser - como Brasilia.

Patricia Vilas Boas disse...

Realmente ela oi muito ousada!!! É algo bastante inusitado e no fim ficou realmente maravilhoso!!! Parece até montagem quando a gente olha assim, meio rápido, pois são dois mundos tão opostos...

Patricia Vilas Boas disse...

Continuando a minha observação: São dois mundos tão opostos (áreas urbanas x áreas rurais ou meio ambiente natural x meio ambiente construído, fique à vontade pra escolher) mas que podem se fundir de uma forma muito original!

sam disse...

Marry, faltou falar do pé de banana ali da Alvares Cabral com Bias Fortes..
Eu já tive a idéia louca de plantar árvores em lotes vagos aqui do meu bairro. Alguém anima?

Leila disse...

Poderíamos fazer um mutirão!!!!!