domingo, 8 de março de 2009

Um diálogo possível entre arte contemporânea e meio ambiente


Olá queridos leitores,

gostaria de partilhar com vocês um outro lado bem interessante da minha formação. Sou graduada em Educação Artística e devido às influências ambientais que já rondavam a minha vida, acabei levando meu curso também neste sentido. O meu trabalho de conclusão de curso foi a relação entre meio ambiente e a arte contemporânea. Fiz um levantamento histórico sobre as origens desse diálogo e como os artistas na década de 60 durante as revoluções sociais e políticas que ocorriam no mundo, somado à emergente crise ambiental, se manifestaram e se manifestam até hoje. Gostaria de inaugurar essa discussão com vocês e apresentar alguns artistas fantásticos. Acompanhem!

Vou começar por trancrever um trecho da minha monografia:

"2.2 A crise ambiental e a arte contemporânea
O conceito de meio ambiente sem dúvida inclui o ser humano. Incoerente pensar de outra forma no estágio da crise ambiental que nos encontramos.
Durante milênios o homem viveu em equilíbrio com a natureza, desde as sociedades primitivas, ou pré-históricas, até o surgimento das sociedades ditas civilizadas. Esses povos desconheciam a lógica da dominação e tinham pela natureza um profundo respeito.
Se obsevarmos o desenvolvimento do homem ao longo da história, o primeiro momento da civilização se caracteriza pela atividade agrícola e artesanal. Com a organização social e política das sociedades, as intervenções na paisagem se tornam mais contundentes. As manufaturas cedem lugar a processos de produção em série, surgem as máquinas e as fábricas. Consolida-se a Revolução Industrial no século XVIII. O processo de industrialização se inica neste momento mas segue seu pleno desenvolvimento até os dias de hoje.
Esse panorama histórico revela a origem dos nossos atuais problemas ambientais, que está na forma como o homem se relaciona com o meio ambiente: como um bem de alto valor econônico, que é explorado até o seu total esgotamento, um insumo econômico. Houve uma mudança na forma de perceber a natureza e seus recursos.
Os primeiros indícios de que o mundo começava a se preocupar com o meio ambiente surgiram na década de 60, como consequência das revoluções políticas e sociais, fruto de contestações que alertaram sobre a dependência do homem em relação ao meio ambiente e da sua flagrante destruição. É também um período no qual acontecem grandes acidentes ambientais e relacionando com o que estava acontecendo com a arte nesta época, é o momento de mudança e surgimento de novos paradigmas e estruturas.[...]
Mais que uma crise ambiental, vivemos uma crise de percepção. Se queremos resolver essa crise, precisamos melhorar nosso entendimento sobre o mundo, e sobre nós. É necessário uma nova forma de pensar. Pertencemos e dependemos da natureza.
Hoje somos mais de 6 bilhões de habitantes, vivendo no mesmo planeta, com os mesmos recursos naturais de sempre. O crescimento acentuado da população, o consumo desenfreado, a falta de consciência das ações humanas no mundo e todos os problemas sociais são fatores que agravam os impactos ambientais. [...]
Torna-se importante mudar a forma de pensar e agir em prol da qualidade de vida. Olhar e perceber a natureza é o primeiro passo nesse caminho de aproximação com o ambiente do qual fazemos parte e a arte é um instrumento hábil a sensibilizar as pessoas.
Diante desse quadro, surge uma tendência na arte: artistas que se utilizam da linguagem da instalação para sensibilizar as pessoas sobre a questão do meio ambiente.
O homem é em sua essência um ser que cria, e estabelece relações das mais diversas. E as obras de arte criadas são parte de nossa singularidade e refletem os aspectos da vida em sociedade. Arte e vida estão ligados, sempre estiveram, mas essa aproximação se torna ainda mais forte quando as pessoas passam a intervir e a participar das obras, o que acontece a partir dos anos 60, como já vimos.
A problemática ambiental não poderia ficar de fora, além de ser o tema mais discutido nos últimos tempos, aponta para um novo modo de pensar, nós seres humanos temos um relação de dependência absoluta com o meio ambiente, se nossas atitudes não mudarem, não se sabe qual será o futuro do planeta. A arte contemporânea tem o condão de propor a construção de novos conhecimentos e novas formas de pensar, e é neste sentido que é possível criar uma nova forma de ver o meio ambiente utilizando de suas instalações grandiosas e inteligentes que podem ser instrumentos para uma ética ambiental.
A arte é um potente agente de revolução e transformação."

A primeira artista que îrei apresentar é Agnes Denes em comemoração ao Dia Internacional da Mulher. Em breve, não percam!
Na imagem, eu e minha arte ambiental, criados a partir das relações desses dois universos. Foram alguns trabalhos sobre "revestimentos" ou peles próprias da natureza. É possível ver mesa de grama e a parede de eucalipto. As peles de eucalipto foram recolhidas após as árvores soltarem suas casquinhas!!!

Fonte:
CARVALHO, L. A. Um diálogo possível entre arte contemporânea e meio ambiente. Belo Horizonte: Universidade do Estado de Minas Gerais, Escola Guignard, 2007. Apresentação trabalho final curso.

2 comentários:

Patricia Vilas Boas disse...

Leila, acho ótimo saber um pouco mais da sua história porque percebo que a questão ambiental pode e deve dialogar com várias outras áreas como a arte. E sinto que pra nós leigos é mais difícil ter conhecimento de artistas que conseguem unir as duas coisas de uma maneira interessante, então vc pode ser a nossa interlocutora. Pessoalmente, eu só conheço um pouco do trabalho de Frans krajcberg e gostaria de saber muito mais sobre outros artistas porque acredito nesta junção...

Leila disse...

Pat, são inúmeros artistas que trabalham com a temática ambiental. Vou apresentar alguns aos poucos, mas se você quiser posso passar alguns nomes para voc6e pesquisar.