segunda-feira, 27 de abril de 2009

REFLEXÃO: Protegendo a Terra

Um amigo me encaminhou o texto abaixo da tradição budista em apoio a Dia da Terra, comemorado na quarta feira passada, dia 22 de abril.
Um texto poético, mas duro em suas verdades. Como disse meu amigo Marcelo, a "eterna luta dos beija-flores contra os dragões". Beijando flores vou seguindo!
Boa leitura.
Protegendo a Terra - Uma chamada para contemplação e ação sobre as mudanças climáticas
"Nosso precioso planeta e os incontáveis seres que nele habitam estão enfrentando uma crise sem precedentes. A crescente ameaça ao meio ambiente e ao clima da Terra se origina de uma profunda dificuldade, que afeta toda a humanidade. Estamos perdendo, cada vez mais rapidamente, nossa conexão com a natureza sagrada de nosso mundo. Essa tragédia nos afeta de muitas maneiras, mas, no seu âmago, ela é uma crise do espírito. Estamos prejudicando nosso planeta e nossos semelhantes porque estamos perdendo contato com a bondade fundamental de nosso próprio ser sagrado.
Essa desconexão de nossa bondade fundamental primordial é amplificada por uma capacidade industrial e tecnológica sem paralelo, por um dramático crescimento populacional e uma vasta desigualdade, que testemunhamos em todos os lugares no nosso mundo.
Por mais desastrosa que seja essa situação, ainda é possível alterar o seu curso. A terra está clamando por nossa proteção e por um retorno à sanidade básica. Nós todos devemos atender a esse chamado, adotando uma abordagem que devolva um profundo respeito por nosso ambiente e que conserve nossos recursos ameaçados.
Podemos nos aproveitar tanto dos métodos tradicionais como dos inovadores avanços tecnológicos, baseados na vida em harmonia com a inteligência fundamental da natureza. No entanto, essa crise global não pode ser transformada em uma nova maneira de viver se continuarmos adotando as mesmas atitudes e hábitos que nos trouxeram a esse aterrorizante extremo, em primeiro lugar. Isso seria simplesmente reforçar, apesar de nossas boas intenções, a degradação e a desigualdade que já estão tão disseminadas.
Esta emergência clama por uma transformação completa de como vivemos -uma transformação de nossas atitudes subjacentes, da nossa abordagem com a sociedade humana e do nosso relacionamento com o planeta Terra e todos os seus habitantes. Meu pai, Chogyam Trungpa Rinpoche, o grande mestre tibetano de meditação e fundador de Shambhala, anteviu esse ponto de inflexão na história da humanidade. Sua palavras não poderiam soar mais verdadeiras: "Quando os seres humanos perdem sua conexão com a natureza, com o céu e a terra, eles não sabem como incentivar o desenvolvimento do seu ambiente ou como governar seu mundo ... curar nossa sociedade ocorre junto com curar nossa conexão pessoal elementar com o mundo fenomenológico"
Na tradição de Shambhala diz-se que é precisamente nos tempos de trevas, como estes, que a sabedoria inerente do universo se faz sentir. Agora é o momento de extrair a inspiração que vem da sabedoria das tradições da humanidade. Tudo nos lembra a unicidade sagrada da vida, a interdependência de todos os seres e asinexoráveis leis de causa e efeito. Esses ensinamentos não poderiam ser mais pertinentes ao nosso imperativo coletivo: a criação de sociedades iluminadas e sustentáveis.
Estou contente que, no mundo budista, exista uma reflexão cada vez mais profunda sobre como a sabedoria dessa tradição particular pode lançar luz sobre essa meta comum. Agora é o momento para se valer das forças disponíveis, a partir das diversas disciplinas, culturas e sociedades, de modo a cultivar a dignidade, a confiança e o destemor necessários para proteger a nossa terra. Ao fazer isso podemos ajudar a reconectar toda a humanidade com sua bondade fundamental primordial, transformar o nosso relacionamento com o mundo sagrado e nos inspirar para escolhas sãs, liderança compassiva e sábio ativismo."
O Sakyong, Jamgon Mipham Rinpoche
Halifax
19 de abril de 2009

Nenhum comentário: