segunda-feira, 11 de maio de 2009

"Fraldinhas da Vovó" X Absorvente 2

A idéia de usar um absorvente lavável não me soa algo tão estranho afinal até bem pouco tempo atrás era assim que funcionava. Confesso que ainda não experimentei, mas é o próximo passo que darei e assim poderei ter uma opinião. Como Pat muito bem escreveu é possível mudar e adequar a vida aos ecoabsorventes que demandam cuidado e um trabalhinho a mais durante a lavagem. Também não sei o que polui mais ou menos, mas a mudança de comportamento, boas intenções e a vontade de proteger o meio ambiente valem tudo.

Quanto ao preço mais salgadinho de novidades ecologicamente corretas defendo a opinião que vale a pena pagar. São caros por vários motivos. Se o público deixar de ser restrito e as pessoas se educarem e não escolherem qualquer coisa na prateleira do supermercado essa realidade muda. Eu por exemplo não compro ovo de granja, apesar de infinitamente mais barato. Pago caro mas com a certeza de que faço o melhor e com a vontade de que as coisas mudem.

Voltando aos absorventes, aproveito a deixa para transcrever reportagem do Correio Braziliense sobre outra opção de ecoabsorventes.

"A idéia de usar um absorvente lavável, que chega a durar até cinco anos, pode parecer estranha a primeira vista. Coloca em jogo a relação da mulher com o próprio corpo e propõe uma mudança significativa de comportamento. Mas a motivação por trás da iniciativa de duas brasilienses em trazer o produto para a capital é nobre. E verde. Apesar de dividir opiniões, o Modser, como é chamado, significa um avanço na preservação ambiental e na economia doméstica. Inspirada na antiga forma de conter o sangue da menstruação — quando se usava toalhas de algodão na calcinha —, a alternativa começa a ganhar adeptas na cidade. Especialistas afirmam que o modelo diminui os riscos de alergia e preserva a saúde da mulher, mas alertam para os cuidados na higienização do material.

Essa história começa em 2005, quando a estudante de biologia Mônica Passarinho, 25 anos, fez uma viagem pela América do Sul. Na Venezuela, conheceu uma australiana que tinha comprado um absorvente ecológico na Inglaterra — absorventes biodegradáveis ou reutilizáveis são vendidos em supermercados e lojas de países da Europa e nos Estados Unidos. "Achei interessante e, como precisava economizar, resolvi comprar o material e fazer um para mim", lembrou. No entanto, a produção e venda do Modser em Brasília começou no início de 2008, quando Mônica conheceu a arquiteta Nara Gallina, 24, no Instituto de Permacultura Ecovilas e Meio Ambiente (Ipoema), ONG da cidade. "Já conhecia alguns modelos pela internet e tinha vontade de trazer o produto para cá. Resolvemos nos unir para começar a produzir e apresentar a alternativa para as mulheres", contou Nara.

O absorvente renovável tem o tamanho semelhante ao convencional (20 cm) e conta com um compartimento onde são guardadas duas toalhinhas feitas 100% de algodão. Nas abas há dois botões que asseguram a fixação na roupa íntima. "O fato de ser de algodão aumenta a ventilação, diminuindo o mau cheiro do sangue", explicou Mônica, que buscou o aval de ginecologistas durante o desenvolvimento do produto. Segundo ela, a eficiência do Modser — o nome faz uma alusão a um novo modo de ser feminino — é equivalente à do tradicional: "Se a mulher troca de absorvente três vezes por dia, ela continua com a mesma freqüência". O número de toalhas colocadas no compartimento varia de acordo com a intensidade do fluxo de sangue. "Cada unidade vem com duas toalhas, mas a mulher pode adquirir outras ou usar apenas uma para ter mais segurança", complementou a estudante.

A produção é feita a quatro mãos. Os tecidos são comprados em um mercado de Taguatinga e higienizados pela própria dupla. "Temos duas máquinas de costura e trabalhamos em casa. É trabalhoso, mas vale à pena. Representa um grande passo na união dos cuidados com a saúde e o planeta", observou Gallina. Até o momento, as amigas produziram e venderam 600 absorventes. Elas trabalham para fazer outros 400 até julho. "A aceitação foi boa. Mostra que as mulheres estão abertas para mudanças e para a preservação do meio ambiente", comemorou a arquiteta. A venda começou entre amigas, que comercializaram para as amigas das amigas e assim por diante. A unidade do modelo padrão custa R$ 12,50 e o noturno, um pouco maior para conter o fluxo à noite, R$ 15,20."


Fonte: correiobraziliense

2 comentários:

Patricia Vilas Boas disse...

Ei Leila! Que ótima a sua postagem! Ela completa muito a postagem que fiz (Fraldinhas da Vovó x Absorvente). Espero não ter dado a impressão de que: "como os produtos ecologicamente corretos são mais caros, não deveríamos comprá-los". Definitivamente não foi isso que eu queria dizer!!! É fato que, em sua maioria, os produtos ecologicamente corretos geralmente custam mais do que os convencionais, por uma série de razões e isso pode ser um fator impeditivo para a compra. Mas no caso em análise, acredito que seria até o contrário, ou seja, as "fraldinhas" ficariam mais em conta do que os absorventes convencionais, em termos financeiros, se compararmos o valor gasto a longo prazo com o produto industrializado. Acho importante lembrar também que qualquer mudança de atitude implica em esforço, mas se for algo possível, temos que pensar no meio ambiente e também na nossa consciência...Outro ponto fundamental é comprar, de preferência, as “fraldinhas” fabricadas no Brasil. E como a Leila mencionou, em Brasília já existe opção e provavelmente deve ter experiências desse tipo em todo Brasil.

Leila disse...

Pat legal sua postagem esclarecedora; não tirei uma impressão errada de sua postagem, apenas aproveitei a "deixa" para falar sobre os custos de sermos conscientes e optar por produtos que respeitam a natureza, os animais, o nosso corpo...

Aproveito para deixar o contato das meninas de Brasília que produzem o Modser: (61)9975-0658 (Mônica) ou (61)9944-1061 (Nara).