domingo, 14 de junho de 2009

JAIME PRADES - LIXEIRAS DA TERRA

Quem passou pelo centro de São Paulo, desde o último domingo, deve ter observado algo novo nas lixeiras pretas que ficam entre o Teatro Municipal, a Praça da República e as avenidas Ipiranga e São João. O artista plástico Jaime Prades em uma intervenção artística cidadã colou adesivos que chamam a atenção para a grave crise ambiental que atravessamos.
Os grafismos do artista falam de como estamos enchendo nosso lar de lixo.

Abaixo segue texto escrito pelo artista - gentilmente cedido por Liliane Ferrari em seu site http://lilianeferrari.com/category/ecologia/



As lixeiras da Terra

"Domingo passado a Claudia e eu passamos o dia adesivando meus ícones em dois quarteirões entre o Municipal, a Praça da República e a São João com a Ipiranga.

Enquanto fazia as lixeiras, com uma visão mais próxima, um quadro mais “fechado”, ela fez um ensaio fotográfico. Algumas das fotos estão aqui num patchwork que traduz um pouco a forma de como aconteceram as coisas. A visão dela pode abraçar um quadro mais “aberto” revelando ângulos, relações e sobreposições integrando as pessoas, os grafismos, as lixeiras, os pixos, os grafites, a arquitetura, as árvores, o céu…

Para conseguir adesivar 150 lixeiras pela cidade sem ser preso precisaria ter a autorização da Prefeitura. Consegui contatar as subprefeitura da Lapa que me apoiou imediatamente e levou o projeto para a subprefeitura da Sé que também topou sem pestanejar. Por isso estou podendo fazer este trabalho com tranquilidade, seria impossível de outro jeito. O centro da cidade é um lugar muito especial onde está tudo misturado. Indigentes, pessoas doentes, o pessoal do crack…Mas também é um lugar cheio de vida e criatividade, com crianças, jovens, turistas, famílias, garis, vendedores, ambulantes, travestis… É indiscritível! Além de toda a história da cidade, da sua arquitetura. A Galeria Olido é um lugar incrível, com biblioteca, lan house, com uma galeria de arte dirigida por um olhar independente e atrevido que pensa na arte urbana, na moda, no grafite, no pixo. É o ponto alto da rapaziada da dança de rua, de salão e moderna. Um oásis de cultura. E as ruas? E as toneladas de lixo que recebem diariamente?…

Faço esse trabalho porque acredito que se cada um tiver um mínimo de cuidado pelo que é coletivo poderemos dar um grande passo como comunidade. Com o lixo não dá para atribuir a responsabilidade ao outro. Cada um pode e tem que pensar no destino e no que é o lixo. Uma garrafa pet é lixo? Comida vai para o mesmo lugar que pilhas? A natureza é lixo? O rio é lixo? O corpo é lixo? Com todo esse consumo e embalagens a coleta seletiva tem que ser incrementada na cidade inteira urgentemente. Como sair do lugar de espectador para o de ator? Como rasgar essa membrana imobilizadora que nos impede de atuar a favor de todos nós? Como organizar toda essa energia para transformar a sombra em Luz, o ódio em amor a pobreza em dignidade? Perguntas não faltam, e as respostas?

Nesta Quinta, feriado, vou passar o dia na Praça da República, na Sé e no Largo do Arouche adesivando. Quer aparecer por lá?

Abração

Jaime Prades"

2 comentários:

Mariana disse...

Adorei a intervenção do Jaime! Acha que teríamos como mandar um e-mail convidando-o para adesivar em algumas lixeiras de Belo Horizonte, Leiloca?

Leila disse...

Passei um email para ele Marilan!!!