quinta-feira, 18 de junho de 2009

MPF X FAZENDEIROS E FRIGORÍFICOS


O Ministério Público Federal está processando fazendeiros e frigoríficos do Pará por criarem gado em áreas ilegais da Amazônia no Estado do Pará.

O Ministério Público Federal (MPF) no Pará encaminhou às redes de supermercados Carrefour, Wal Mart e Pão de Açúcar uma recomendação para que parem de comprar carne proveniente da destruição da Amazônia, distribuída por frigoríficos do Pará. Outros 72 compradores de produtos bovinos também receberam a recomendação. O descumprimento do pedido pode resultar em multa de R$ 500,00 por quilo de produto comercializado. Além disso, o MPF está processando 20 fazendas, o frigorífico Bertin e outras 10 empresas do setor pecuário que atuam no Pará, acusadas da impedir a regeneração da floresta amazônica em áreas desmatadas ilegalmente e que já haviam sido multadas anteriormente. A ação, no valor de R$ 2,1 bilhões pede a indisponibilidade de bens dos proprietários, pagamento de multa e indenização, embargo de qualquer atividade nas áreas de reserva legal e recuperação de 557 mil hectares com reflorestamento ou condução da regeneração natural. Por terem comprado gado destas fazendas, os frigoríficos e curtumes serão co-responsabilizados.


O Greenpeace lançou o relatório “A Farra do Boi na Amazônia” apontando a relação entre empresas frigoríficas envolvidas com desmatamento ilegal e trabalho escravo com produtos de ponta comercializados no mercado internacional. Para piorar, o governo brasileiro financia e tem participação acionária nas principais empresas pecuárias que atuam na Amazônia.

Os supermercados e empresas notificados também foram solicitados a implementar sistemas de identificação precisa da origem, qualidade e legalidade de todos os produtos oferecidos para consumo, em especial os que tenham utilizado matéria-prima natural, para garantir que os consumidores tenham todas as informações necessárias sobre a origem dos produtos.

“Essa investigação do MPF sobre as ilegalidades no setor pecuário pode ser um exemplo de como podemos obter mudanças concretas na Amazônia: sem medo de lidar com os problemas e corrigindo práticas ilegais e insustentáveis” - procurador-chefe do MPF, José Augusto Torres Potiguar.

Boas notícias não é pessoal? Vamos torcer para que essa ação do MP seja um marco para as mudanças que queremos ver na Amazônia e no Brasil.

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4 comentários:

Patricia Vilas Boas disse...

Olá Leila! Essa notícia é muito importante, acho que todos tem que saber direitinho porque as grandes redes de supermercados náo estáo aceitando as carnes sejam originárias das fazendas e Frigoríficos autuados. Só acho que é importante alertar a todos para um fato: os supermercados simplesmente náo estáo aceitando as carnes com a origem citada pois correm risco de também responderem pelo fato em decorrencia da responsabilidade objetiva em matéria ambiental. Entáo, se os frigoríficos e fazendeiros forem responsabilizados e se os mesmos náo tiverem como pagar a indenizaçáo, o MP poderá acionar os supermercados compradores das carnes também. Daí o medo dessas grandes empresas, náo é pela preocupaçáo com o meio ambiente pura e simplesmente náo...

Patricia Vilas Boas disse...

Gente, matéria de utilidade pública relacionada a esse assunto:
http://www.greenpeace.org.br/gado/FARRAweb.pdf
Olhem lá!

Patricia Vilas Boas disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Leila disse...

Muito bem colocado Pat!
Não há dúvidas quanto a pronta colaboração dos supermercados. Inclusive, a recomendação do MP inclui multas para esses supermercados.
O viva é para o MP!