terça-feira, 4 de agosto de 2009

Centenário de Roberto Burle Marx


Eu sou uma fã do grande paisagista brasileiro, Roberto Burle Marx que hoje completaria 100 anos. Um homem que usou a arte para intervir no meio ambiente e criar lindos jardins, além de contribuir na divulgação das plantas nativas do Brasil e ser um grande defesor da natureza.
Foi responsável pela construção de mais de 1000 jardins em todo o mundo.

Realizei uma pesquisa sobre sua biografia a algum tempo e gostaria de compartilhar com vocês.

Nasceu em 4 de agosto de 1909, em São Paulo. Filho de um alemão, Wilhelm, que deixou sua cidade natal, representando uma firma de exportação em Recife. Lá conheceu Cecília e tiveram seis filhos. Em 1901 se mudaram para São Paulo, e em 1914 para o Rio de Janeiro.
“A minha formação em arte vem desde que me entendo, porque minha mãe, embora não fosse artista profissional, era ótima pianista, fazia boa musica, tocava muito bem piano”.
Aos 7 anos, inicia a sua coleção de plantas, ganhando de uma tia uma Alocatia cuprea. Passou a noite a admirar a planta.
Foi para a escola alemã. Alem de colecionar plantas, era barítono e também se dedicava ao desenho.
Roberto e seus irmãos cresceram também sob os cuidados de Anna Piasek, agregada da família desde 1903, uma húngara que ao lado de Cecília acompanhou a infância e juventude dos meninos.
Conheceu Lucio Costa, cujos pais moravam na mesma rua.
Em 1928 vai para a Alemanha tratar problemas de visão. Em Berlim, revela-se a vocação em visitas constantes ao Jardim Botânico de Dahlen, onde descobre gradativamente a beleza e a exuberância da flora brasileira, e também o interesse crescente pela pintura: ele toma conhecimento de Cézanne, Matisse, Braque, Klee, Picasso, do cubismo. Vai a uma retrospectiva de Van Gogh que o marca de maneira especial.
Estuda desenho e pintura na escola de Degner Klenn. No limiar dos anos 30 retorna para o Brasil.
Matricula-se na Escola Nacioanl de Belas Artes. Pretende estudar arquitetura, mas decide-se afinal por pintura, a conselho de Lucio Costa.
Nesse ambiente que conhece Oscar Niemeyer, os irmãos Marcelo e Milton Roberto, Jorge Machado Moreira e Carlos Leão.
“O Leo Putz vinha da Escola de Munique. Como eu falava alemão, tive a possibilidade de conviver esplendidamente com ele, e possivelmente foi o professora mais importante que tive na minha vida. Depois, por ter tido uma amiga que namorava o Celso Antonio, fui estudar com ele.”
Em 1932 realiza seu primeiro jardim profissionalmente.
Em 1934 é indicado para ser Diretor de Parques e Jardins em Recife, lá permanecendo por 3 anos. Amplia seu conhecimento em botânica através de incursões pelo cerrado, aplicando-o nos primeiros trabalhos públicos em nosso país onde se dá o rompimento com o Jardim de modelo europeu. Data daí também o inicio de sua longa experiência como pesquisador, revelador e defensor de nossa flora.
Ao realizar um jardim de canas índicas vermelhas, Roberto é acusado de comunista e deixa assim o Recife por motivos políticos.
Entre 35 e 37 é convidado por Portinari para freqüentar as aulas que o mestre Brodoósqui dava na Universidade do Distrito Federal.
1937 já trabalha intensamente com Portinari nos murais do Mistério da Educação como assistente. Em 1938 nos Jardins do Ministéio da Educação e Saúde (hoje Palácio da Cultura), quando começa a trabalhar com a equipe responsável pelo projeto do edifício. É o seu priemiro projeto importante depois da volta de Recife.
A convite de Niemeyer, que assinou o projeto, realiza em 1942 os Jardins da Pampulha (Cassino, Iate Clube, Casa do Baile, Restaurante da Ilha e Roseiral e Ficetum – moraceas – da Igreja de São Francisco).
Em 1946 vai estudar junto com Mello Barreto no grupo zoobotânico do Jardim Zoológico do Rio de Janeiro. Em 47 executa o painel de azulejos para o pavilhão do Instituto Oswaldo Cruz no Rio de Janeiro.
Em 50 participa pela primeira vez da Bienal de Veneza e em 51 da I Bienal de São Paulo.
Década de 50 participa de várias exposições individuais pelo mundo e Brasil. Em 53 realiza também o projeto do Parque do Ibirapuera, arquiteto Oscar Niemeyer. Em 54 Museu de Arte Moderna e Aterro do Flamengo no Rio.
Em 59 realiza cenário e figurinos para o Balé Zuimaluti, com música de Villa Lobos e livreto de Mario de Andrade. Nunca mais se afastou dessa atividade de cenógrafo até o final de sua vida. Nessas atividades múltiplas, a experiência com grandes painéis de cerâmica vinha da década de 40, quando fez os primeiros para a colônia de férias do instituto de Resseguros do Brasil. Pelos primeiros anos da década de 50 passa a se dedicar seriamente ao design de jóias, numa sociedade com o irmão Haroldo Burle Marx. Roberto desenha, Haroldo executa. Pedras brasileiras eram usadas pela primeira vez em larga escala e lapidadas de uma maneira nada convencional.
O Rio de Janeiro foi de fato o cenário onde Roberto desenvolveu os seus mais queridos projetos: o sitio de Santo Antonio de Bica, os jardins do Museu de Arte Moderna, o parque do Flamengo, o calçadão de Copacabana.
A década de 60 foi marcada pelos Jardins de Brasília, alguns concluídos nos anos 70: Parque Zoobotânico, jardins, terraços e tapeçarias para o Palácio do Itamaraty – Ministério das Relações Exteriores -, Palácio da Justiça, Ministério do Exercito, Banco do Brasil, Residência da Vice-Presidência da Republica.
A lista de projetos, exposições individuais, medalhas, títulos e homenagens vai se estendendo largamente dos anos 70 e em diante. Roberto não parava de trabalhar.
Pouco antes do completar 56 anos, em 1965, Roberto esteve nos EUA, onde deu aula e fez conferências nas Universidades de Harvard, Berkeley, Oregon, Yale e Washigton. Foi assíduo conferencista, tanto no Brasil quanto no exterior.

No ano de 1949 Roberto adquire, junto com o irmão Siegfried, o Sítio de Santo Antonio de Bica, em Guaratiba, Campo Grande , zona oeste do Rio. Ali ele transformou pouco a pouco uma área de 800 mil metros quadrados no maior e mais importante viveiro botânico do Brasil. As viagens de coleta vão se intensificar em sistemáticas visitas às regiões fitogeográficas do país. A coleção cresce principalmente com as espécies autóctones. A coleção de velózias do sítio, segundo Luiz Emygdio, pode ser considerada a mais importante do mundo, bem como os conjuntos de bromélias, clúsias, palmeiras, helicônias. Várias espécies por ele descobertas vão levar o seu nome.

“Minha nomeação como membro honorário da Sociedade Botânica do Brasil me emociona e me enche de orgulho. Não sendo um botânico, procurei sempre, no decorrer de minha atividade como paisagista, contar com o apoio dos cientistas botânicos que pudessem ajudar-me a utilizar a vegetação de maneira consciente e, sobretudo, mais coerente”.

Roberto, poliglota (falava inglês, alemão, espanhol, francês e italiano), deu aula de paisagismo e jardinagem em faculdades de arquitetura no mundo inteiro, e abriu salas de aula no Sitio para a formação de jovens paisagistas e botânicos.
Preocupado com o destino desse trabalho de tantas décadas, no dia 11 de março de 1985, Roberto decidiu doar o Sitio com todo o seu acervo à Fundação Nacional Pró-Memória, hoje instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

“É preciso compreender que jardim é natureza ordenada, organizada para o homem, baseando-se em suas necessidades. Que os homens consigam compreender a paisagem, elaborada através de uma ordenação conscientemente orientada da natureza. Mas é preciso compreender a natureza selvagem, não elaborada, para tirar dela a grande lição.”

“Parece que tudo o que a gente encontra em nossa natureza tem a designação de mato, e por ser mato não serve. Tenho me batido muito pela utilização de plantas brasileiras, sobretudo sabendo que a nossa flora é tão rica. Tenho à minha mão mais de 5000 espécies de arvores e mais de 50 mil espécies de plantas. E um absurdo muitas vezes a gente não pensar em introduzi-las nos jardins.

Faleceu em 1994.

Referência:
CALS, Soraia. Roberto Burle Marx. Uma Fotobiografia. Rio de Janeiro, Bolsa de Arte, 1995.

Um comentário:

Patricia Vilas Boas disse...

Ai Leiloca, que máximo o Burle Marx... A história dele é muito bacana e essa característica de valorizar o que é fruto do Brasil se alinha bem à idéia de sustentabilidade e de dar preferência aos recursos locais. Fora isso, o trabalho dele em si é maravilhoso e único. Adorei!!!