domingo, 28 de março de 2010

É preciso parar de ter filhos para salvar o planeta?


Há alguns meses tenho me deparado com um questionamento: é preciso parar de ter filhos para salvar o planeta? Tenho pesquisado alguns defensores e opositores dessa ideia para tentar encontrar respostas.
“Somos hoje quase 7 bilhões na face da Terra (...). Em 2050 poderemos atingir 10 bilhões, 3 bilhões a mais do que hoje. Diante do empobrecimento das reservas de água doce, das repetidas crises alimentares e das mudanças climáticas, muitos ousam brandir uma bandeira-tabu: o controle global dos nascimentos.” Essa foi a manchete de uma matéria veiculada na revista Planeta de fevereiro e que me fez pensar em algumas repercussões da implementação desse tipo de controle, pelo menos aqui no Brasil. Sabemos que a China adotou a política do filho único em 78, evitando o nascimento de 400 milhões de crianças. Mas a que preço? Mesmo que de forma muito diferente do que foi a implementação forçada dessa política de planejamento familiar na China, qualquer tentativa desse tipo soa antidemocrática, antiética. Uma lei poderia impor tamanha restrição?
Um estudo estatístico feito por pesquisadores da Universidade de Oregon, nos Estados Unidos, descobriu que deixar de ter uma criança pode significar 20 vezes menos emissões de gases estufa do que seguir práticas "verdes" durante toda a sua vida.
Teremos comida suficiente para todos? Energia disponível? Saúde pública, saneamento básico?
Constatei que os especialistas na área divergem, alguns defendem a teoria de Malthus, como o ecologista James Lovelock; outros creem que a população mundial sequer chegará a 8 bilhões, como por exemplo o ecologista político Lester Brown. Para este, se o número de humanos dobrou desde 1945 foi graças à mecanização da agricultura que permitiu triplicar as colheitas. “E o que impedirá a população mundial de tomar o caminho inverso, impulsionada pela ocorrência de epidemias, de guerras ou da fome, se a água ou o petróleo começarem a faltar?”
De modo geral os ecologistas assumem que o número de pessoas já é excessivo e que boa parte do crescimento previsto para os próximos anos será em regiões onde as reservas de água e terras cultiváveis já diminuriam de forma brusca. A ONU prevê que mais de 70% da população viverá em cidades de forma precária e miserável.
Essa discussão tem muitas faces e não haveria como falar de tudo nem mesmo superficialmente, mas lanço a discussão para saber o que mais pessoas pensam a respeito. Acredito ser possível sensibilizar a nossa sociedade para os riscos da superpopulação, implementar políticas de conscientização sobre o caos ambiental.
O planeta dá conta de tanta gente? E se todos mudassem seus hábitos visando poupar a natureza e permitir melhor qualidade de vida a todos? O homem faz parte da natureza e não me parece correto uma limitação radical como essa...

Referências:
Save the Planet: Have Fewer Kids – Artigo postado em LiveScience em 3 de agosto de 2009:
http://www.livescience.com/environment/090803-children-carbon-footprint.html
A população do mundo vai parar de crescer? Matéria da Revista SuperInteressante – Edição 276 – Março/2010 (www.superinteressante.com.br)
É preciso para de fazer filhos? Matéria da Revista Planeta – Edição 449 – Fevereiro/2010 (http://www.revistaplaneta.com.br/)

Imagem: http://www.canalkids.com.br/cultura/geografia/imagens/mais_gente.gif

Um comentário:

Mariana disse...

Leila, essa discussão sempre me interessou bastante. Eu acredito que a Teoria de Maltus não se confirmou, pois apesar do crescimento da população, a produção de alimentos conseguiu acompanhar tal crescimento, devido à descoberta dos malfadados fertilizantes. Acredito tb que o causa a falta de abastecimentos em determinadas sociedades dos mundo não é a falta de alimentos, mas as desigualdades sociais.
Eu ainda olho para o Brasil e analisando a classe média e até as classes mais baixas, me parece que naturalmente as pessoas estão optando por ter menos filhos. Assim como acontece na Europa em alguns anos nossa sociedade terá mais velhos que jovens, não é essa a previsão? Por isso eu me pergunto: os problemas ambientais têm relação direta com a quantidade de pessoas no mundo, mas o agravante não seria a falta de educação e consciência da grande parte das pessoas?