quarta-feira, 9 de março de 2011

OBJETIVOS DE DESENVOLVIMENTO DO MILÊNIO NO CARNAVAL DE SALVADOR

A campanha de conscientização sobre os oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) no Carnaval de Salvador atingiu centenas de milhares de pessoas nos dias de folia. Resultado de uma parceria entre o Sistema das Nações Unidas no Brasil, o Grupo Eva e o Instituto EcoDesenvolvimento, a iniciativa teve como objetivo chamar atenção do público em geral sobre o cumprimento dos ODM até 2015 e os desafios que o Brasil enfrenta para alcançá-los.

“É muito importante quando a gente usa o poder do Carnaval como instrumento de uma boa ação. Os ODM são coisas básicas que já deveriam ter acontecido há muito tempo, como acesso à educação, erradicação da pobreza e os demais objetivos. Acho que falar disso durante a folia soa de forma honesta porque é verdadeiro para todos que ouvem a mensagem”, declarou Saulo Fernandes, vocalista do Grupo Eva.

Para reforçar a iniciativa, mensagens sobre as oito metas fixadas pela ONU também foram exibidas nos painéis eletrônicos dos trios elétricos do Eva. Balões gigantes com as marcas da campanha abriram desfiles dos blocos. No sábado, a tradicional feijoada do grupo – que reuniu aproximadamente 500 pessoas – marcou o início dos três dias de folia seguintes no Circuito Osmar. Na ocasião, foram distribuídas Fitinhas do Senhor do Bonfim customizadas com os símbolos dos oito ODM.

O estudo do PNUD e da UNCTAD revelou que “conhecimento, cultura e tecnologia podem ser os motores da criação de empregos, da inovação e da inclusão social”, elementos catalisadores do cumprimento das Metas do Milênio. "Em um primeiro momento, o Carnaval atua como fonte de esperança em um mundo melhor e mais justo. Em seguida, como fonte real de oportunidades, de geração de empregos, de inclusão social, de promoção da igualdade de gênero e de trabalho conjunto para um mundo mais próspero e feliz”, afirma Jorge Chediek, coordenador residente do Sistema ONU no Brasil. “Na prática, podemos dizer que os ODM são atingidos quando transformamos, de forma positiva, a vida real de cada cidadão. O Carnaval tem esse papel, tanto na área social quanto na econômica", acrescentou Chediek.

Até 2015, todos os 191 Estados-Membros das Nações Unidas assumiram o compromisso de:

Erradicar a extrema pobreza e a fome
O número de pessoas em países em desenvolvimento vivendo com menos de um dólar ao dia caiu para 980 milhões em 2004, contra 1,25 bilhão em 1990. A proporção foi reduzida, mas os benefícios do crescimento econômico foram desiguais entre os países e entre regiões dentro destes países. As maiores desigualdades estão na América Latina, Caribe e África Subsaariana. Se o ritmo de progresso atual continuar, o primeiro objetivo não será cumprido: em 2015 ainda haverá 30 milhões de crianças abaixo do peso no sul da Ásia e na África.

Atingir o ensino básico universal
Houve progressos no aumento do número de crianças frequentando as escolas nos países em desenvolvimento. As matrículas no ensino básico cresceram de 80% em 1991 para 88% em 2005. Mesmo assim, mais de 100 milhões de crianças em idade escolar continuam fora da escola. A maioria são meninas que vivem no sul da Ásia e na África Subsaariana. Na América Latina e no Caribe, segundo o Unicef, crianças fora da escola somam 4,1 milhões.

Promover a igualdade entre os sexos e a autonomia das mulheres
A desigualdade de gênero começa cedo e deixa as mulheres em desvantagem para o resto da vida. Nestes últimos sete anos, a participação feminina em trabalhos remunerados não-agrícolas cresceu pouco. Os maiores ganhos foram no sul e no oeste da Ásia e na Oceânia. No norte da África a melhora foi insignificante: Um em cinco trabalhadores nestas regiões é do sexo feminino e a proporção não muda há 15 anos.

Reduzir a mortalidade na infância
As taxas de mortalidade de bebês e crianças até cinco anos caíram em todo o mundo, mas o progresso foi desigual. Quase11 milhões de crianças ao redor do mundo ainda morrem todos os anos antes de completar cinco anos. A maioria por doenças evitáveis ou tratáveis: doenças respiratórias, diarréia, sarampo e malária. A mortalidade infantil é maior em países que têm serviços básicos de saúde precários.

Melhorar a saúde materna
Complicações na gravidez ou no parto matam mais de meio milhão de mulheres por ano e cerca de 10 milhões ficam com seqüelas. Uma em cada 16 mulheres morre durante o parto na África Subsaariana. O risco é de uma para cada 3,800 em países industrializados. Existem sinais de progresso mesmo em áreas mais críticas, com mais mulheres em idade reprodutiva ganhando acesso a cuidados pré-natais e pós-natais prestados por profissionais de saúde. Os maiores progressos verificados são em países de renda média, como o Brasil.

Combater o HIV/Aids, a malária e outras doenças
Todos os dias 6,8 mil pessoas são infectadas pelo vírus HIV e 5.,7 mil morrem em conseqüência da Aids - a maioria por falta de prevenção e tratamento. O número de novas infeccções vem diminuindo, mas o número de pessoas que vivem com a doença continua a aumentar junto com o aumento da população mundial e da maior expectativa de vida dos soropositivos. Houve avanços importantes e o monitoramento progrediu. Mesmo assim, só 28% do número estimado de pessoas que necessitam de tratamento o recebem. A malária mata um milhão de pessoas por ano, principalmente na África. Dois milhões morrem de tuberculose por ano em todo o mundo.

Garantir a sustentabilidade ambiental
A proporção de áreas protegidas em todo o mundo tem aumentado sistematicamente. A soma das áreas protegidas na terra e no mar já é de 20 milhões de km² (dados de 2006). O A meta de reduzir em 50% o número de pessoas sem acesso à água potável deve ser cumprida, mas a de melhorar condições em favelas e bairros pobres está progredindo lentamente.

Estabelecer uma Parceria Mundial para o Desenvolvimento
Os países pobres pagam a cada dia o equivalente a US$ 100 milhões em serviço da dívida para os países ricos. Parcerias para resolver o problema da dívida, para ampliar ajuda humanitária, tornar o comércio internacional mais justo, baratear o preço de remédios, ampliar mercado de trabalho para jovens e democratizar o uso da internet, são algumas das metas

Fonte: PNUD


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