terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Grandes encontros sobre temas ambientais não passam de teatros gigantes


Pessoal,

achei muito bom esse texto escrito por uma colega do trabalho, a Marina Rievers, refletindo sobre o fiasco que foram as negociações ocorridas durante a COP 15. Resolvi compartilhar com vocês!

Estamos no Ano Internacional da Biodiversidade, declarado pela Organização das Nações Unidas (ONU) para chamar a atenção sobre a perda de animais e plantas provocada pela ocupação desregrada de áreas naturais, exploração predatória de recursos da natureza e poluição. Nos mesmos moldes da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP15), realizada em dezembro passado em Copenhague (Dinamarca), a COP da biodiversidade tem encontro marcado para outubro de 2010 na cidade japonesa de Nagoya. O encontro avaliará os resultados das ações assumidas há oito anos para preservar a biodiversidade planetária.

Analisando o resultado da COP15 não dá para nos empolgarmos com mais este megaencontro. Depois de duas semanas, a Conferência de Copenhague terminou com um acordo fraco, rejeitado por cinco delegações e sem qualquer força legal. Como bem disse Roberto Smeraldi, co-presidente do Diálogo Internacional sobre Clima e Florestas e membro do Fórum Brasileiro sobre Mudanças Climáticas, as conferências climáticas tornaram-se grandes feiras, com resultados pouco efetivos. "A partir do 4º relatório do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas), quando o tema estourou midiaticamente, a partir da COP de Bali, a conferência virou um teatro gigante".

O que se viu em Copenhague foi uma feira comercial com mais de 46 mil pessoas credenciadas – o que provocou o caos, com filas por mais de oito horas sob um frio de rachar e com muita gente barrada no Bella Center - e não mais para os que realmente interagiam com o processo. As expectativas da sociedade, e inclusive do mundo dos negócios, se dirigiram de forma equivocada para a COP, como se ela fosse o local onde se tomam todas as decisões. E aí o modelo não sustenta, porque foi feito para outros fins. O que se viu na bela capital da Dinamarca foi uma vitrine de produtos ecológicos como turbinas eólicas, aquecedores solares, etc.

Para o Brasil, a COP15 resultou numa lei e numa propaganda estrelada pelo ator americano Harrison Ford. A legislação, sancionada no fim do ano, estabelece a meta de reduzir as emissões de gás carbônico entre 36,1% e 38,9% até 2020 frente aos níveis de 1990, o que exigirá por sua vez a redução em 80% do desmatamento da Amazônia - a maior fonte brasileira de poluição. Já o spot veiculado na TV fechada mostra o eterno Indiana Jones depilando o peito com cera quente numa alusão aos efeitos do desmatamento no hemisfério sul. O ator, que também é vice-presidente do grupo ambientalista Conservation International, encerra sua intervenção afirmando: “O que eles fazem lá, nós sentimos aqui.” Santa hipocrisia!

3 comentários:

Patricia Vilas Boas disse...

Marilan, adorei a charge, apesar de que ela indica que, infelizmente, as "pizzas" também chegaram até o Pólo Norte... O texto está muito bem escrito, apesar da "falta de luz no fim do túnel" que ele sugere...Resta a nós fazermos a nossa parte por aqui já que nos grandes teatros mundiais há apenas atores atuando, como o próprio Harisson Ford...

Leila disse...

Oi gente! Gostei muito do texto, especialmente da dose de realidade que ele traz. Acho que a "falta de luz no fim do túnel" às vezes se faz necessária para sacudir as pessoas...
De qualquer modo não dá para ficar só esperando por mudanças governamentais, devemos ter a consciência limpa assim como nossa ações.

Bárbara Moreno disse...

muito bom!A Marina é muito perspicaz!