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domingo, 10 de maio de 2009

Construção de Muros em Favelas


O governo do estado do Rio de Janeiro decidiu erguer muros de 3 metros de altura para impedir que os barracos das favelas avancem em direção à mata ou se dependurem em áreas de risco. Pode ser o sinal de que, finalmente, o Poder Público resolveu deixar a demagogia de lado e combater com seriedade o processo de favelização.

Não demorou para que a iniciativa fosse alvo de críticas, dando conta de que a intenção das autoridades só poderia ser segregar os pobres. O caso ganhou, inclusive, repercussão internacional. Surgiram comparações com o Muro de Berlim e o da Palestina, para citar apenas dois exemplos mencionados no blog do escritor português José Saramago. E disseminou-se a idéia absurda de que as favelas seriam integralmente cercadas, ganhando feições de cidades medievais.

Aqueles que são contrários à idéia lembram que as favelas, especialmente as da Zona Sul do Rio de Janeiro, crescem pouco para os lados. A maior expansão se dá verticalmente – há edifícios com mais de 10 pavimentos em algumas delas. É óbvio que seria muito melhor se o muro não fosse necessário, assim como é óbvio que se não houver fiscalização, nenhuma barreira física impedirá novas invasões. O que o muro simboliza é a decisão de encarar com a devida seriedade o problema das favelas.

Na primeira etapa do projeto estão previstos 14,6 quilômetros de muro, pouco mais do que a extensão da ponte Rio-Niterói, e serão contempladas 13 favelas. Um ponto fundamental é que acredita-se que a construção de muros facilitará a delimitação das áreas para fins de planejamento urbano. Não há como planejar saneamento de água, fornecimento de energia ou dimensionar a coleta de lixo se os barracos continuarem se alastrando.

Além do objetivo de melhorar o planejamento urbano das favelas, há uma preocupação ambiental, já que a construção de muros impede o avanço dos barracos nas áreas de preservação permanente. Ademais, busca-se evitar que bandidos fujam pela mata durante ações policiais.

Só para se ter uma idéia do trabalho que há pela frente, apenas 23 das quase 1000 favelas do Rio possuem regras para construção estabelecidas pela Prefeitura. Parece ter chegado a hora de mudar essa triste realidade. E o governador Sérgio Cabral completa: “Esse é o muro da inclusão, e não da segregação. Ele significa o fim da omissão do Poder Público.”

Só para completar, há quem chame tais muros de “ecobarreiras”...

A primeira vista essa idéia de murar favelas parece ser mais uma forma de segregação em função da condição econômica. Será??? Por outro lado, acredito que, em termos de planejamento urbano, a delimitação da área onde se pretende trabalhar é de fundamental importância. E torço, independentemente de qualquer coisa, para que tal ação traga benefícios concretos para a população, trazendo melhorias para a qualidade de vida, qualidade de habitação e qualidade do meio ambiente. Contudo, a fiscalização será essencial. Mas será mesmo essa uma iniciativa justa, desprovida de preconceitos???


Fonte: Revista Veja, Editora Abril, Edição 2109, ano 42, nº 16, 22 de abril de 2009.

Fonte da Foto: http://interpretacoesdeumsujeito.blogspot.com/